Eleições 2016 – O Partido dos Trabalhadores colhe o que semeou

Eleições 2016 – O Partido dos Trabalhadores colhe o que semeou
Em 2.10.2016, ocorreram eleições municipais em todo o Brasil, as quais apresentaram como característica peculiar o fato de ser o primeiro sufrágio universal após o impeachment da presidente Dilma Vana Rousseff do Partido dos Trabalhadores – PT, que perdeu seu mandato após ter sido condenada pelo Senado Federal pelo crime de responsabilidade fiscal.
Durante os últimos dois anos, a operação lava jato desencadeou uma série de investigações, denúncias, acusações, prisões e condenações de diversas pessoas ligadas a um esquema de corrupção coordenado durante a gestão do PT, envolvendo empresas públicas e privadas, órgãos públicos, funcionários públicos, partidos políticos, empresários, lobistas, políticos de diversos partidos e etc.
Como consequência, o resultado do primeiro turno das eleições demonstrou que o PT foi o partido que mais perdeu prefeituras. Em 2012, o partido detinha 630 e, após o primeiro turno, só conseguiu conquistar 256, podendo ainda aumentar um pouco esse número dependendo dos resultados do segundo turno nas sete cidades em que a legenda ainda disputa. O PT elegeu apenas um prefeito em capital: Marcus Alexandre, em Rio Branco. Em 2012, foram quatro. O partido só vai disputar uma prefeitura em capitais no segundo turno.
Para onde foram os votos dos eleitores do partido? 
Nesse caso, dividiria a evasão dos votos em três grupos: (1) eleitores que acreditam e apoiam bandeiras progressistas, do ponto de vista cultural, e intervencionista, sob a ótica econômica; (2) eleitores que votam sem  qualquer motivação ideológica; e (3) eleitores que passaram a se interessar mais pelos temas ligados à política e que se aprofundaram no estudo dos programas defendidos pela esquerda progressista, pela direita conservadora e pelos liberais.
O grupo (1) certamente migrou para os partidos que se apresentaram como progressistas do ponto de vista cultural e intervencionista sob a ótica econômica. Dentre tais partidos, podemos citar PSOL, REDE, PCdoB. Esses eleitores são aqueles que acreditam nos programas do partido, mas se desiludiram com a ética de seus políticos e correligionários. Vale frisar que, além da migração dos eleitores, ocorreu também migração de políticos.
O grupo (2) compreende uma grande parcela do eleitorado, que não dá importância para a política e que costuma decidir seu voto de forma simples e sem qualquer análise mais aprofundada, baseando-se em motivações das mais variadas, tais como: os melhores colocados nas pesquisas eleitorais (“pra não perder o voto”); o político indicado por algum familiar; o político do último santinho; aquele com aparência mais em conformidade com sua avaliação de honesto; o mais conhecido; o que já está no cargo; o que promete garantir a preservação de algum tipo de privilégio; aquele que oferece algum tipo de pagamento pelo voto; ou outro motivo qualquer, sem fundamento ideológico.
O grupo (3) abrange aqueles eleitores que adquiriram maior conscientização política, por meio da busca por mais informação. Ao se interessarem mais pelos temas, começaram a formar opinião e demandas que não são, historicamente, defendidas pelos partidos de esquerda. No campo econômico, por exemplo, há movimentos requerendo redução do tamanho do Estado; maior liberdade econômica; redução da burocratização; incentivo ao empreendedorismo; etc. No campo cultural, percebe-se um crescimento de vozes conservadoras se opondo àquelas, até então, uníssonas vozes progressistas da esquerd, e requerendo, por exemplo: menos barreiras ao direito de possuir arma de fogo; não facilitação à prática do aborto e ao comércio de drogas ilícitas; redução da maioridade penal; impedimento da implementação do ensino de temas polêmicos no ensino fundamental, tais como assuntos ligados à cultura de gênero, educação sexual, etc.
 Cabe destacar que esse grupo de eleitores (Grupo 3) que aumentou seu interesse pela política e se aprofundou no estudo de seus temas, embora possa não representar um número expressivo de pessoas, pode ser considerado como de grande relevância, pois, quando se observa esse tipo de movimento, apoiado em ideias, suas bases são sólidas e costuma ecoar pela sociedade, provocando um efeito multiplicador que pode resultar em mudança de pensamento e conduta de boa parcela da sociedade.
Nessa eleição, já foi possível perceber, por parte de alguns partidos, a defesa de pautas mais conservadoras, do ponto de vista cultural, como o PSC. 
Vale destacar também o surgimento do partido NOVO, com propostas completamente inovadoras e destoantes daquelas até então oferecidas pelos partidos existentes, propondo ideário que se apoia em valores como: liberdades individuais com responsabilidade; indivíduo como único gerador de riqueza; todos são iguais perante a lei; livre mercado; fim do fundo partidário; foco em gestão; etc.
Apesar da calamitosa situação econômica, social e política que o país se encontra, de toda a roubalheira evidenciada na Petrobras, do total descaso pela ética e da completa irresponsabilidade fiscal, se conseguirmos aprender com tais experiências, não deixarmos de cobrar punição aqueles que cometeram todos crimes que vêm sendo deflagrados e, por fim, passarmos a defender responsabilidade dos governantes na gestão do dinheiro público e cultivarmos boas ideias, pelo menos podemos ter esperança de um país melhor no futuro. 
Caso contrário, tenho pena do fardo pesado que nossa geração e a dos nossos filhos e netos terão que carregar.


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