"Estupro coletivo de adolescente no Rio": Os casos de estupro e a mobilização social



“Adolescente de 16 anos estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro”. Essa foi a notícia mais propagada pelos principais veículos de comunicação e discutida em vários programas de televisão e fóruns de internet nos últimos dias.


De fato, a notícia é impactante e provoca revolta imediata a quem toma conhecimento. Com o passar dos dias, informações contraditórias aquela divulgada inicialmente começaram a surgir e a história ficou bastante confusa e enigmática, suscitando dúvidas sobre o que realmente ocorreu.


Tendo em vista se tratar de um caso ainda sob investigação policial, vamos esperar que os investigadores concluam seu trabalho, imparcial e eficientemente, e caso fique comprovado qualquer crime, que a justiça logre êxito em reunir os elementos necessários para punir exemplarmente os culpados.


Contudo, independentemente da conclusão das investigações, este caso serviu para jogar um facho de luz sobre um dos crimes mais hediondos do código penal, o crime de estupro. Apesar de absurdamente desumano, casos de estupro sempre ocorreram e ocorrem de forma recorrente em todo o país.


Uma das formas mais cruéis de se tratar um ser humano é submetê-lo à experiência degradante de se tornar vítima de estupro. Não podemos nos esquecer dos casos em que as vítimas são crianças. Casos estes que, na maioria das vezes, ocorrem no seio familiar e de forma recorrente. Não consigo imaginar crueldade maior do que a violência sexual contra crianças. Apesar disso, há muitas pessoas monstruosas e covardes capazes de estuprar, e muitas outras, não menos cruéis, capazes de ajudar tamanha barbárie, ao ter conhecimento e nada fazerem para impedir.


Algumas pessoas, ao tomarem conhecimento de casos de estupro, costumam julgar o comportamento da vítima, utilizando frases críticas (ex.: “poderia ter evitado se não estivesse lá”, “não deveria usar tal tipo de roupa”, “deveria estar drogada/bêbada”), como se nessas horas a conduta da vítima tivesse sido a causa de sua tragédia. Analogamente, seria como passar a culpar as vítimas de atropelamento por andarem pelas ruas, as de estelionato por confiarem nas pessoas ou as de roubo por possuírem bens.


Certa vez, um amigo meu foi assaltado e, ao reportar o fato a conhecidos, ouviu frases como “Ah, mas você não deveria andar de ônibus com um celular caro desses ” e “ainda bem que não fizeram nada contigo”. Esse amigo, então, publicou um texto por meio do qual relatava sua experiência enquanto vítima do assalto e também sua percepção desolada de como as pessoas parecem ter se acostumado com a violência ao ponto de querer culpar a vítima. Porém, o que mais me chamou atenção foi seu desabafo de que a sociedade chegou a uma situação tão triste em que “o relativismo moral nos retirou o direito às condolências”.


Logo, devemos repudiar qualquer discurso que tente culpar a vítima.


Obviamente que a precaução deve ser tomada por todos os cidadãos de bem, sempre que possível, pois vivemos em um país violento, em que o Estado é ineficiente em vigiar, investigar, julgar e punir, fato que aumenta a sensação de impunidade dos bandidos. Isso aliado ao fato de os criminosos no Brasil terem a garantia estatal de que os cidadãos estarão desarmados, reduzindo o risco de nocividade da vítima. Ou seja, maior tende a ser a insegurança pública.


Outro discurso que também merece repúdio é o discurso feminista que tenta culpar os homens como um todo, ou seja, a coletividade masculina pelos crimes de estupro. Acusações absurdas como que os homens não manifestaram repúdio ao crime cometido contra a jovem, caracterizando que no Brasil existe uma “cultura do estupro”.  Outras mais radicais chegaram a afirmar que "todos os homens são estupradores". Embora pareça inacreditável, essa radicais realmente proferiram esse absurdo que só pode ser considerado por alguém com uma mente doente.


O dicionário Léxico define o termo “cultura”, sob o ponto de vista sociológico da seguinte maneira:


7. (Sociologia) Agrupamento ou aglomerado de preceitos e normas sociais, regras religiosas, manifestações intelectuais ou artísticas e padrões partilhados por determinada sociedade ou povoação, refletindo-se nas suas crenças, doutrinas, saberes, valores, associações, entre outras, e que pertencem à vida individual e coletiva de todos os seus indivíduos;
8. Denominação atribuída ao conjunto de tradições, costumes e normas sociais partilhadas por determinada povoação e que caracterizam a mesma, constituindo a herança dessa povoação;


Ora, a não ser que essas feministas estejam atribuindo outro significado ao termo cultura, não há raciocínio lógico que consiga enquadrar os crimes de estupro ocorridos no país como componente cultural do Brasil. Se isso fosse verdade, deveríamos dizer que temos a cultura do roubo, do furto, do estelionato, enfim, deveríamos considerar que o povo brasileiro é um povo criminoso.


Então, NÃO. NÃO somos um povo criminoso, NÃO possuímos a cultura do estupro e NÃO podemos permitir que ninguém se utilize de um crime cruel e repugnante para tentar se promover e/ou disseminar discórdia em nossa sociedade.


Quem comete violência sexual é um psicopata criminoso, monstruoso, desumano, covarde, medíocre, que não merece conviver em sociedade. Talvez nossas leis sejam inadequadas, a punição leve, nosso sistema de segurança negligente, nossa justiça ineficiente. Mas de uma coisa eu tenho certeza, a esmagadora maioria das pessoas repudia veementemente e gostaria de poder acabar de uma vez por todas com tamanha bestialidade humana.


Por fim, deixo aqui minhas condolências a todas as vítimas de estupro do Brasil e do mundo e clamo que se apoiem na compaixão das pessoas de bem e tomem coragem para denunciar o crime.

Comentários

Postagens mais visitadas