O Brasil e sua democracia infantil

As crianças quando querem o mesmo brinquedo não costumam dialogar para chegar a um acordo, não costumam argumentar, não trocam ideias. Elas brigam e geralmente a mais forte fica com o brinquedo e a outra chorando. 

E por que é assim? Porque as crianças possuem o discernimento e a capacidade de construir argumentos ainda em desenvolvimento. Suas vontades individuais se sobrepõem às das outras. Nesses casos, os pais devem mediar o conflito para educar e tentar maximizar o uso do brinquedo.

Analogamente, durante a disputa presidencial de 2014 no Brasil, os dois candidatos se comportaram como crianças brigando por um brinquedo. Suas campanhas quase não discutiram propostas programáticas, ideias, mudanças efetivas na economia ou em outras áreas, mas canalizaram suas forças para tentar desabonar a capacidade de gestor dos adversários, bem como atacar pontos estatísticos específicos dos governos anteriores.

No final das contas, a criança mais forte, a que ficou com o brinquedo, foi a que recebeu a maioria dos votos válidos. Nesse caso, os pais, responsáveis pela otimização do uso, são representados pelos poderes legislativo e judiciário e pelo Ministério Público Federal.

O grande risco para o equilíbrio e a paz da "família" é se a criança que ficou com o brinquedo conseguir superpoderes para esterilizar o poder dos pais otimizarem o uso do brinquedo, aniquilando as chances de qualquer outra criança um dia cuidar do brinquedo antes que este quebre.

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