A falácia da defesa e a incoerência dos adormecidos.

Os doze primeiros anos de governo do PT foram marcados por muitas denúncias de corrupção, algumas seguidas de suas respectivas acusações, julgamentos e condenações. Políticos e dirigentes deste e de outros partidos aliados, bem como pessoas contratadas pelo PT foram condenadas e presas pelo crime de corrupção. Atualmente, estamos acompanhando mais denúncias de corrupção envolvendo políticos do PT e de partidos aliados, além de pessoas indicadas pelo governo para cargos de confiança na Petrobras. As investigações em curso apontam para o que pode ser o maior esquema de corrupção da história do país.

Em resposta a esses fatos graves, a equipe de publicitários que prestam serviços ao PT definiu como estratégia de defesa a argumentação de que, na verdade, corrupção sempre houve, a diferença é que o governo do PT não impede a investigação por parte das instituições de Estado (Ministério Público Federal e Polícia Federal). Esse argumento vem sendo repetido pelo ex-presidente Lula, pela atual presidente Dilma, além de ministros de estado, parlamentares aliados, dirigentes partidários, filiados, militantes e eleitores do PT. 

Deparo-me com pessoas que nem são ligadas ao PT e que, a princípio, não são beneficiadas por nenhum desses esquemas repetindo essas argumentações. Ouço frases do tipo: "O governo anterior também roubava, a diferença é que naquela época não havia investigação, eles engavetavam tudo..."

Primeiramente, esse é um argumento falacioso por que tanto o Ministério Público Federal quanto a Polícia Federal são instituições de Estado e não de governo. Ou seja, suas atribuições são constitucionais e seus atos não dependem da autorização do governo (artigos 127 e 144 da Constituição Federal)

Um governo dizer que autoriza o Ministério Público Federal e a Polícia Federal a cumprir seu dever constitucional é o mesmo que dizer que estas instituições só cumprem suas atribuições constitucionais por que o governo autoriza, ou, dito de outra forma, que, se o governo não autorizasse, essas instituições não poderiam cumprir seus deveres constitucionais. O que é um completo absurdo, simplesmente por que nenhum governo está acima da constituição e, por conseguinte, não possui poderes para desautorizar o cumprimento de um dever constitucional. 

Além disso, não há como desprezar o fato de que diversos políticos, bem como dirigentes e filiados do PT e de partidos aliados foram condenados por corrupção. Nem, tampouco, ignorar o fato de que foi o governo do PT que escolheu as pessoas que ocupam os cargos de confiança na Petrobrás e, por conseguinte, exerce sim ingerência sobre a administração da empresa, isso evidencia indícios ou de incompetência ou de conivência. Aguardemos a conclusão do inquérito.

Penso que quem é permissivo com erros, mentiras e crimes de políticos, alegando falta de ineditismo, ou está sendo beneficiado pelas condutas imorais destes ou demonstra uma incoerência absurda, somente evidenciada em pessoas sem qualquer compromisso com a razão ou adormecidas em algum tipo de transe ideológico.

Como não notar incoerência em quem (1) vota em um político que demonstrou-se incompetente mas não contrata um prestador de serviço incompetente; ou (2) vota em um político que mente (promete uma coisa e faz outra) mas se afasta de alguém que traiu sua confiança; ou (3) vota em políticos de um partido repleto de criminosos mas exige o combate às quadrilhas de traficantes, ladrões e estelionatários.

Defender a permanência no poder de um partido comprovadamente repleto de filiados corruptos, alguns destes inclusive julgados e condenados pela mais alta corte do país, alegando que os demais partidos também atuariam da mesma forma ou pior, é tão insensato quanto, por exemplo, permitir que um pedófilo durma no quarto com uma criança ou que um ladrão possua as senhas de suas contas bancárias, alegando que todas as pessoas são pedófilas ou ladras.

Prefiro acreditar no transe ideológico e torcer para que essas pessoas acordem.

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