Eleições Presidenciais 2014 - Quanta hostilidade inútil!!!

O resultado da eleição para a presidência do Brasil em 2014 gerou o descontentamento de mais de 48% dos eleitores, os que votaram na candidatura derrotada, e essa frustração vem provocando reações das mais diversas, desde comentários que expressam tristeza e medo a outros que proferem injúrias extremamente hostis aqueles que votaram na candidata vencedora, especialmente aos eleitores da região nordeste do país, cujo povo sempre deu valor à importância do trabalho e tratou bem os visitantes de outras regiões. O desenvolvimento do nosso país se deve muito também a todo o povo nordestino. 

Com a ampliação dos programas de transferência de renda promovida pelo governo do PT nos últimos 12 anos, o povo nordestino foi o mais beneficiado e, portanto, é natural que desenvolva uma simpatia pelo governo que intensificou essa política. Não é razoável exigir que os beneficiados desses programas (em grande parte pouco e mal instruídos devido a sua condição social) avaliem a intenção eleitoreira desses programas. O voto deles na candidata da situação me parece como um agradecimento, um gesto cordial, embora desnecessário, pois as verbas transferidas são provenientes dos tributos cobrados de todos os brasileiros e não do governo. Mas não tenho a pretensão de discorrer acerca dos programas de transferência de renda nessa ocasião. Apenas observar que seu sucesso deveria ser medido pelo número de pessoas que conseguem sair da condição de miséria e deixar o programa e não pelo número de pessoas que são atendidas pelo programa, fato que evidencia o uso eleitoreiro deste.

É importante ter consciência que a candidata do PT, embora não tenha obtido a maioria dos votos válidos nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país, obteve uma votação bastante significativa nessas regiões também, o que invalida o argumento de que o Nordeste elegeu a presidente. A verdade é que a maioria dos eleitores brasileiros que votaram reelegeu a presidente. E é assim que a democracia funciona. A maioria se impõe a minoria.

Por outro lado também percebo ofensas pesadas em sentido contrário. As ofensas trocadas por ambos os lados são preconceituosas, perversas e inúteis. Estão canalizando forças para agredir um compatriota que pensa diferente, quando poderiam direcionar esse esforço para argumentar de maneira racional e inteligente em favor do ponto de vista que entende ser o mais acertado. A agressão não muda a opinião do agredido, ao contrário, apenas o coloca na defensiva e o torna um interlocutor avesso a qualquer ideia proposta pelo agressor, por mais bem fundamentada que seja essa ideia.

Entendo que o método inteligente, pacífico e moralmente correto de mudar a conduta ou o pensamento de qualquer pessoa é através do convencimento, da persuasão, das ideias. Mas é também a maneira mais difícil e cansativa, pois as pessoas tendem a ter apego às suas ideias e convicções.

Independentemente do voto, todos os cidadãos que almejam um Brasil melhor deveriam aproveitar esse momento de inspiração cívica despertado pelas eleições e, de hoje em diante, dedicarem um pouco de tempo às questões políticas, pois quanto maior o desinteresse do povo pela política, mais facilmente os mal intencionados se apropriam do poder e propõem leis para ampliá-lo e se perpetuarem em seus cargos.

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